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Ritta Faromi leva “Um Canto Ancestral” pela primeira vez a Salvador em noite de música e ancestralidade no Santo Antônio Além do Carmo

Genilson Coutinho,
02/10/2026 | 14h10
Foto: Divulgação

Da Ilha de Boipeba para Salvador, a cantora Ritta Faromi atravessa as águas da Baía de Todos-os-Santos para apresentar, pela primeira vez na capital baiana, o espetáculo “Um Canto Ancestral”. A apresentação acontece no dia 16 de outubro, no espaço A Marujada, no Santo Antônio Além do Carmo, em uma noite dedicada à música, à memória e às conexões entre território, ancestralidade e mar.

A programação começa às 19h, com a apresentação de Dani Bispo, que leva ao palco o show “Entre Marés”. Às 20h, Ritta Faromi assume a cena para apresentar “Um Canto Ancestral”, espetáculo que nasce de sua relação com as águas, com a Ilha de Boipeba e com os saberes que atravessam gerações.
A chegada a Salvador representa um novo movimento na trajetória da artista, cuja presença musical está profundamente ligada ao território de Boipeba. “Levar ‘Um Canto Ancestral’ para Salvador é como deixar a maré me levar para outro lugar sem deixar de saber de onde eu vim. Esse canto nasce da minha relação com com as águas, com a baía com a ancestralidade e com tudo aquilo que aprendi ouvindo e vivendo o meu território. Chegar à capital com esse espetáculo é compartilhar uma parte dessa memória e permitir que ela encontre outras pessoas, outros corpos e outras histórias.”, comenta Ritta Faromi
Marisqueira, cantora, compositora e multiartista, Ritta Faromi faz da maré território de sustento, memória e criação. Seu conhecimento sobre os ciclos das águas e das marés, herdado de seus antepassados, orienta não apenas seu trabalho como marisqueira, mas também sua maneira de compreender e narrar o mundo. Mulher trans, preta e diaspórica, Ritta carrega em sua voz uma sabedoria ancestral que se manifesta no corpo, na rotina e na música. A imagem das águas aparece como elemento de conexão entre passado e presente, território e deslocamento, fazendo da apresentação uma espécie de travessia entre a Ilha de Boipeba e Salvador. A própria trajetória de Ritta está vinculada aos saberes das marés e à vida no território de Boipeba. O filme “Ritta Faromi: A Flecha Sobre as Águas”, atualmente em circulação no circuito de cinema, apresenta a artista a partir de sua relação com o mar, a música, a memória e a espiritualidade, reforçando a dimensão territorial que atravessa seu trabalho.
UM CANTO ANCESTRAL
Sua pesquisa musical mergulha nas estéticas afro-brasileiras, nas sonoridades e claves que atravessaram o Atlântico Negro e nas línguas, ritmos e formas de expressão preservadas e reinventadas pelos corpos negros, indígenas e femininos do Brasil profundo. Em suas composições do show autoral será apresentadas canções como “Barco de sete yaô” e “iemanjá” a oralidade é memória viva, o tambor é linguagem e o corpo é território de afirmação.
O encontro no A Marujada reúne dois artistas em uma programação que tem as águas como fio condutor. Primeiro, Dani Bispo apresenta “Entre Marés”; em seguida, Ritta Faromi apresenta “Um Canto Ancestral”, estabelecendo um diálogo entre diferentes experiências da música baiana e suas relações com território e memória.

Imagem: Divulgação

O palco escolhido para a estreia também carrega uma dimensão simbólica: situado no Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, o espaço recebe uma artista que chega da ilha para fazer sua voz ecoar em outra margem da Baía de Todos-os-Santos. “Um Canto Ancestral” acontece no dia 16 de outubro, no A Marujada, com abertura de Dani Bispo às 19h e apresentação de Ritta Faromi às 20h.
SERVIÇO
Ritta Faromi — Um Canto Ancestral
Data: 16 de outubro
Local: A Marujada
Endereço: Rua dos Marchantes, 81 — Santo Antônio Além do Carmo, Salvador
19h: Show de Abertura – Dani Bispo — Entre Marés
20h: Ritta Faromi — Um Canto Ancestral
Ingressos: disponíveis pelo Sympla, conforme divulgação oficial do evento.
Rede Social: @rittafaromi