PrEP injetável amplia opções de prevenção ao HIV e avança no Brasil
A prevenção do HIV ganhou novas ferramentas nos últimos anos. Além da camisinha e da PrEP oral diária, medicamentos injetáveis de longa duração começam a ampliar as alternativas para pessoas que desejam se proteger da infecção. No Brasil, o cabotegravir está em processo de avaliação para incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto o lenacapavir, aplicado duas vezes ao ano, avança em processos regulatórios e de acesso no país.
Disponível no SUS desde 2018, a PrEP oral utiliza medicamentos antirretrovirais para reduzir o risco de infecção pelo HIV quando há exposição ao vírus. A chegada de opções injetáveis busca, entre outros objetivos, reduzir as dificuldades relacionadas ao uso diário dos comprimidos e ampliar o acesso à prevenção.
Cabotegravir
O cabotegravir é uma PrEP injetável de ação prolongada desenvolvida pela GSK. A proposta é que, após a fase inicial de aplicação, o medicamento seja administrado a cada dois meses. A Conitec abriu, em agosto de 2026, consulta pública sobre a avaliação do cabotegravir para prevenção do HIV no SUS.
Segundo a GSK, os estudos clínicos apontaram eficácia superior a 99% na prevenção da infecção. A incorporação ao SUS, no entanto, depende da conclusão da avaliação pela Conitec e das etapas posteriores do processo.
A expectativa do Ministério da Saúde é utilizar a nova tecnologia para ampliar a prevenção entre grupos que apresentam menor cobertura pela PrEP oral. A estratégia não prevê substituir os comprimidos, mas ampliar as opções disponíveis.
A PrEP injetável também pode facilitar a adesão entre pessoas que enfrentam dificuldades para manter o uso diário ou que preferem não manter medicamentos em casa por questões relacionadas a privacidade e estigma.
Lenacapavir
Outra tecnologia que avançou no cenário internacional é o lenacapavir, desenvolvido pela Gilead Sciences. O medicamento é uma PrEP injetável administrada duas vezes ao ano. Estudos de fase 3 demonstraram eficácia de 99,9% na prevenção do HIV entre participantes que receberam o medicamento no esquema semestral.
No Brasil, a Gilead apresentou à Anvisa, em 2025, o pedido de registro do lenacapavir para prevenção do HIV.
Em setembro de 2026, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) anunciou um acordo com a Gilead que cria uma nova via de acesso ao medicamento por meio dos Fundos Rotatórios Regionais. O Brasil está entre os 14 países que poderão adquirir o lenacapavir por esse mecanismo, mas a disponibilidade dependerá dos processos regulatórios, do planejamento das compras, do financiamento e da preparação dos programas de saúde de cada país.
O acordo também prevê o avanço de um processo de transferência de tecnologia para o Brasil, com o objetivo de viabilizar futuramente a produção local do medicamento.
Novas opções em desenvolvimento
A pesquisa também avança em alternativas que possam reduzir ainda mais a frequência de uso da PrEP. Entre elas está o alimtravag, da MSD, que ainda está em fase 3 de desenvolvimento. Por estar em investigação, a tecnologia ainda precisa concluir os estudos e passar pelas etapas regulatórias antes de uma eventual disponibilização.
A ampliação das opções de prevenção permite que diferentes públicos possam escolher, junto aos serviços de saúde, a estratégia mais adequada às suas necessidades. A PrEP oral continua sendo uma ferramenta importante e não deve ser substituída pelas novas tecnologias.
