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 Coletivo LGBTQIAPN+ de Salvador celebra 12 anos com projeto cênico gratuito no Santo Antônio Além do Carmo

Genilson Coutinho,
17/08/2026 | 22h08
Foto:Lais de Oliveir

Em celebração aos 12 anos de trajetória, o Coletivo Das Liliths anuncia o projeto Das Liliths Fazedoras de Memórias Cênicas, que promove, ao longo de um ano, encontros entre artistas LGBTQIAPN+ do Norte e Nordeste e integrantes do coletivo, em Salvador. A programação, totalmente gratuita, começa neste mês de agosto e terá como sede o Forte da Capoeira, no Santo Antônio Além do Carmo, com atividades de formação, criação e difusão artística.

A iniciativa prevê quatro laboratórios criativos híbridos, realizados trimestralmente, com a participação de quatro artistas convidados, sendo dois do Norte e dois do Nordeste. Cada etapa terá duas semanas de duração, sendo uma remota e outra presencial, e será concluída com uma palestra performance da artista convidada e um experimento poético desenvolvido pelo Coletivo Das Liliths. Ao final do projeto, em julho de 2027, será lançado ainda um documentário reunindo registros dos processos e das apresentações.

A primeira etapa, intitulada “Metendo a Boca — práticas de lip sync para uma cena sobre nós”, será conduzida pelo artista cearense Ricardo Tabosa, de Fortaleza. Ator, performer, diretor, pesquisador e produtor, Tabosa integra desde 2002 o Grupo Bagaceira de Teatro e é mestre em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Sua pesquisa artística transita por corpo, performatividade, memória e narrativas LGBTQIAPN+.

O laboratório será realizado entre os dias 10 e 21 de agosto, totalizando 40 horas em dez encontros gratuitos. A primeira semana aconteceu de forma online, entre 10 e 14 de agosto, das 13h às 17h, por videoconferência. Já a etapa presencial será realizada de 17 a 21 de agosto, das 13h às 17h, no Forte da Capoeira. A atividade contará com certificado de participação e as inscrições estão disponíveis pelo link na bio do Instagram @dasliliths.ba.

A pesquisa de Ricardo Tabosa parte de seu espetáculo solo “Metendo a Boca”, no qual o artista atravessa a experiência de um homem gay que perdeu a voz e encontra possibilidades de expressão nas práticas de dublagem e lip sync (técnica de mexer os lábios em perfeita harmonia com um áudio pré-gravado, de música ou de fala). Durante o laboratório em Salvador, a metodologia será compartilhada com artistas selecionados, combinando prática, troca de saberes e reflexão sobre corpo, dissidência e criação cênica.

A programação também terá momentos abertos ao público. No dia 20 de agosto, às 15h, Ricardo Tabosa apresenta, no Forte da Capoeira, uma palestra performance na qual compartilha seu trabalho e apresenta o solo “Metendo a Boca”. No dia seguinte, 21 de agosto, será a vez do Coletivo Das Liliths apresentar o experimento poético “Razzgando o Verbo”, conduzido pela drag queen Razzga Mortalha. A performance aposta no humor, na dublagem e em entrevistas em formato de talk show.

As próximas etapas do projeto estão previstas para dezembro de 2026, março e junho de 2027, cada uma com a participação de uma nova artista convidada. O encerramento será marcado pelo lançamento do documentário, previsto para julho de 2027.

Sobre o Coletivo Das Liliths

Criado em 2013 dentro da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o Coletivo Das Liliths tem sede em Salvador e desenvolve uma trajetória voltada às artes cênicas e às discussões sobre gênero e sexualidade. Ao longo de 12 anos, o grupo construiu um repertório de 12 espetáculos autorais, entre eles “Lady Lilith”, “Adão”, “Eva”, “Circo dos Horrores”, “Xica”, “Tibiras”, “O Covil”, “Antro” e “Outras Fábulas Mágicas”, além de promover oficinas, cursos, leituras dramáticas, palestras, seminários e intercâmbios artísticos.

O projeto Das Liliths Fazedoras de Memórias Cênicas foi contemplado com recursos do Edital nº 21/2025 – Fomento às Artes: Apoio a Ações Continuadas, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult/BA), no âmbito do Programa de Ações Continuadas da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB Bahia). A proposta tem como um de seus principais objetivos criar um memorial performático dos 12 anos do coletivo, conectando artistas dissidentes de diferentes territórios brasileiros por meio da formação, da criação e da difusão artística.