Comportamento

Notícias

Social

Ouça este post.

Dia Nacional da imunização: imunização contra o HPV é essencial para prevenção do câncer do colo do útero

Genilson Coutinho,
09/06/2026 | 14h06

A vacinação contra o HPV segue disponível nos postos de saúde de todo o país e é considerada uma das principais ferramentas de prevenção contra o câncer do colo do útero. 

O desafio é resgatar quem perdeu a imunização na idade recomendada, entre 9 e 14 anos. A preocupação dos especialistas é que a baixa adesão comprometa o compromisso assumido pelo Brasil com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que definiu como meta global eliminar o câncer do colo do útero nas próximas décadas. Para isso, seria necessário alcançar índices de vacinação acima de 90%.

Outro ponto que preocupa é a desinformação em torno do imunizante. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada em março deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que apenas 54,9% dos estudantes de 13 a 17 anos tinham certeza de que haviam sido vacinados contra o HPV. Além disso, 10,4% afirmaram não ter recebido a vacina e 34,6% não sabiam informar se haviam sido imunizados ou não. Isso representa quase 1,3 milhão de adolescentes desprotegidos e outros 4,2 milhões potencialmente vulneráveis à infecção. A pesquisa também reforça a preocupação com a desinformação: entre os adolescentes não vacinados, metade relatou não saber que precisava tomar a vacina, demonstrando que o desconhecimento sobre a imunização ainda é um dos principais obstáculos para aumentar a cobertura vacinal. 

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano no triênio 2026-2028, o que corresponde a uma taxa de incidência de 17,59 casos por 100 mil mulheres.Vale lembrar ainda que a doença é o terceiro tipo de câncer que mais afeta o público feminino, por isso, é muito importante que o diagnóstico seja feito o quanto antes para o início do tratamento.

Diversos especialistas acreditam que na pandemia as medidas restritivas impostas para evitar o aumento do contágio pela covid-19, assim como o fechamento das escolas, podem ter impactado em uma menor procura pela vacinação contra o HPV, uma vez que muitas das campanhas são realizadas nas instituições de ensino.

A vacina é oferecida gratuitamente nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de todo o Brasil para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Segundo o Ministério da Saúde, 75% das brasileiras sexualmente ativas entrarão em contato com o HPV ao longo da vida, sendo que o ápice da transmissão do vírus se dá na faixa dos 25 anos. Após o contágio, ao menos 5% delas irão desenvolver câncer de colo do útero em um prazo de dois a dez anos.

“Geralmente, a infecção genital por HPV é bastante frequente e, na maioria dos casos, é assintomática e autolimitada, ou seja, até os 30 anos de idade grande parte das mulheres tem a infecção resolvida. Mas, quando ocorre a persistência do vírus nas células do colo do útero, elas podem avançar para o desenvolvimento de câncer”, comenta Marcela Bonalumi, oncologista da Oncoclínicas.

De olho na prevenção

Diante dessa realidade, é importante reforçar que a ferramenta essencial na luta contra o câncer do colo do útero é a vacinação contra o HPV. “A imunização pode prevenir também o câncer de vulva, ânus e vagina nas mulheres e de pênis nos homens. Por isso, o ideal é que esse cuidado ocorra antes do início da vida sexual, evitando assim que haja uma exposição ao vírus”.

Além da vacinação, que é considerada uma prevenção primária, é importante realizar os exames de rotina ginecológica, como o Papanicolau (anualmente e depois a cada três anos), dos 25 aos 64 anos de idade. “Ele é muito importante para identificar lesões pré-cancerosas e agir rapidamente contra o câncer do colo do útero”, alerta Marcela. Vale lembrar ainda que os exames devem ser feitos mesmo se a mulher for vacinada contra o HPV, pois o imunizante não protege contra todos os tipos oncogênicos da doença.

Primeiros sinais

A doença em estágios iniciais é assintomática, mas a dor na relação sexual ou sangramento vaginal pode estar presente. Por isso, é muito importante o rastreamento com o exame Papanicolau de rotina.

No entanto, se a doença estiver mais avançada, pode ser que a paciente tenha anemia — devido à perda de sangue — dores nas pernas e costas, problemas urinários ou intestinais e perda de peso não justificada. “Geralmente, os sangramentos acontecem durante a relação sexual, mulheres que já estão na menopausa ou ainda fora do período menstrual. Por isso, é muito importante buscar pelo aconselhamento de um especialista”, orienta a oncologista.

Diagnóstico precoce aumenta chances de sucesso no tratamento

A oncologista da Oncoclínicas explica que podem ser realizadas cirurgias, radioterapia e/ou quimioterapia. “Na cirurgia, ocorre a retirada do tumor, ou ainda do útero quando necessário. Quando a doença apresenta estágios mais avançados, são realizadas sessões de radioterapia e quimioterapia”, comenta Marcela Bonalumi.

Apesar da doença ser bastante silenciosa, quando descoberta precocemente pode haver uma redução de até 80% na mortalidade pelo câncer do colo do útero. “Muitas mulheres não descobrem na fase inicial. Sempre aconselho as pacientes a realizarem periodicamente seus exames de rotina, como o Papanicolau. Além disso, é fundamental que sejam consumidas informações de qualidade, sendo essa uma das principais aliadas ao combate do HPV”, finaliza.