O adeus a Andy D’Luck: uma vida dedicada à arte, ao cuidado e à prevenção
A arte perdeu uma de suas mais belas representantes. A prevenção perdeu uma de suas mais dedicadas agentes. E quem teve o privilégio de conhecer Andy D’Luck perdeu uma amiga que parecia estar sempre pronta para estender a mão, oferecer uma palavra de conforto e lembrar que, independentemente das dificuldades, “tudo dá certo no final”.
Andy D’Luck, integrante do Esquadrão das Drags, professora de dança, artista e ativista da prevenção ao HIV e às ISTs, faleceu aos 58 anos após complicações decorrentes de um quadro de pneumonia. Sua partida deixa um legado construído com generosidade, afeto e compromisso com a vida.

Formada em dança, Andy dedicou grande parte de sua trajetória ao ensino e à transformação social por meio da arte. Atuava como professora em núcleos de convivência para pessoas idosas na Zona Leste de São Paulo.
Sua história com a arte começou muito antes da personagem drag. Foi em uma aula de dança, na Oficina Cultural, que conheceu Dindry Buck, artista que mais tarde se tornaria sua mãe drag e uma das pessoas mais importantes de sua caminhada.
“Ela me considera mãe drag dela. Acompanhei o primeiro evento dela, o primeiro telegrama animado e vi ela crescer artisticamente”, recorda Dindry.
Anos depois daquele primeiro encontro, Andy decidiu dar vida à sua personagem drag queen. O que começou como uma expressão artística transformou-se em uma poderosa ferramenta de acolhimento, educação e cidadania.
Há cerca de cinco anos, passou a integrar o Esquadrão das Drags, coletivo reconhecido por unir arte, prevenção e direitos humanos. Ali encontrou um espaço onde podia colocar sua criatividade a serviço de uma causa que abraçou com todo o coração.
“Quando surgiu a oportunidade de participar do Esquadrão, ela abraçou aquilo. Era o encanto da vida dela”, conta Dindry.

Quem conviveu com Andy lembra da sua presença constante nas atividades do grupo. Ela participava de oficinas lúdicas, palestras em escolas, ações comunitárias e eventos de grande alcance, levando informações sobre prevenção ao HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis de forma acolhedora e acessível.
“Toda ação de prevenção do Esquadrão, ela estava no meio. Escolas, eventos, oficinas, ela estava sempre presente”, relembra a amiga.
Além de integrante do coletivo, Andy também atuou por aproximadamente dois anos como agente de prevenção. Sua dedicação ultrapassava qualquer compromisso formal. Para os amigos, Andy era presença certa, apoio imediato e carinho constante.
“A Andy era pau para toda obra. Você precisava dela e ela já estava aqui na porta de casa. Ela era aquele ser que estava sempre disponível para você, sempre tinha uma palavra de conforto”, diz Dindry.
A artista deixa três irmãos. Era a mais velha da família e partiu exatamente um ano após o falecimento de sua mãe, uma coincidência dolorosa. Sua trajetória mostra que a prevenção também pode ser feita com arte, afeto e presença. Ao se despedir da amiga, Dindry resume um sentimento compartilhado por todos que tiveram a sorte de cruzar o caminho de Andy:
“Minha gratidão por ela é eterna.”
Hoje, entre lágrimas e saudade, ficam as memórias de alguém que fez da dança sua linguagem, da arte sua ferramenta e do cuidado sua missão. E fica também a frase que repetia diante dos desafios da vida e que agora ecoa como uma mensagem para todos que permanecem:
“Tudo dá certo no final.”
Descanse em paz, Andy D’Luck.
As informações sobre o velório ainda não foram liberadas pela família. Assim que tivermos acesso, disponibilizaremos em nossa página.
Da Agência AIDS