“Só tem gay no Carnaval de Salvador”
Foto: Genilson Coutinho
Por Genilson Coutinho*
Entra Carnaval, sai Carnaval, e as conversas ultrapassadas, acompanhadas de comentários homofóbicos, só aumentam.
Isso ocorre, principalmente, por conta da crescente presença da comunidade LGBTQIAPN+ do Brasil e do mundo no Carnaval de Salvador.
A história de que “só tem gay no Carnaval de Salvador” já não cabe há muito tempo, pois sempre estivemos na festa. A diferença é que perdemos o medo de sermos quem somos e isso é resistência e naturalização das nossas existências. A comunidade rompeu, há décadas, a corda dos blocos dos anos 1980 e 1990 e, com isso, passou a ocupar outros espaços.
Enquanto há pessoas preocupadas com a nossa alegria, registrando nossa afetividade e fiscalizando nossos beijos do alto dos camarotes, seguimos livres, aquecendo a economia da cidade e injetando recursos, seja na compra de uma cerveja de R$ 5, seja em um abadá de R$ 2.000. Multiplique um dia de gastos da nossa comunidade em um camarote onde, por exemplo, o sábado foi composto em 99% por homens gays, com camisas que custam em torno de R$ 2.500.
O quanto isso representa?
Temos força no mercado de consumo do Carnaval. Ainda assim, o poder de compra da comunidade LGBTQIAPN+ é, infelizmente, rechaçado por aqueles que nos xingam e se incomodam com a nossa presença.
É sempre importante refletir sobre a força da comunidade LGBTQIAPN+, não apenas no Carnaval, mas em todos os segmentos da economia.
Deixe o vale em paz e seja feliz.
Genilson Coutinho é Editor -chefe do Dois Terços e ativista LGBTQIAPN+
