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Campanha do Ministério da Saúde aposta no uso do preservativo no Carnaval, amplia distribuição e alerta para queda na adesão entre brasileiros

Genilson Coutinho,
11/02/2026 | 23h02

Às vésperas do Carnaval de 2026, o Ministério da Saúde intensifica uma das principais estratégias de saúde pública para o período de festas: a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Com o mote “Carnaval com prevenção. Antes, durante e depois da folia, é o Governo do Brasil do seu lado”, a campanha nacional traz a cantora Gaby Amarantos como protagonista para mobilizar jovens e adultos sobre a importância da proteção nas relações sexuais — um alerta que ganha ainda mais relevância diante da queda no uso de preservativos no país e no mundo.

Como parte da estratégia, o governo federal distribuiu 138 milhões de preservativos aos estados nos últimos três meses, reforçando os estoques para o período carnavalesco. Entre as novidades estão dois novos modelos incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025: a camisinha texturizada (TEX) e a versão ultrafina (SENSI), criadas para ampliar a aceitação e estimular o uso contínuo do método.

Além de prevenir a transmissão do HIV, das hepatites virais, da sífilis e de outras ISTs, o preservativo também atua na prevenção de gestações não planejadas. Este será o primeiro Carnaval com a oferta dos novos modelos em larga escala no sistema público.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a urgência da medida diante dos dados que apontam baixa adesão ao preservativo. “Isso aqui é muito importante: 60% da população não usa preservativos nas relações sexuais. Tudo o que a gente puder colocar disponível no SUS para incentivar as pessoas a usarem, nós faremos, porque previne doenças e protege a nossa população”, afirmou.

Estoque reforçado e novas opções

Do total de preservativos enviados aos estados, cerca de 132 milhões são preservativos externos, incluindo as versões tradicionais, texturizadas e ultrafinas. Outros 3,8 milhões correspondem a preservativos internos, produzidos em látex ou material nitrílico, ampliando as possibilidades de escolha e autonomia dos usuários.

Segundo o Ministério da Saúde, a diversificação busca tornar o método mais atrativo e adequado às diferentes preferências da população, enfrentando um dos principais desafios da prevenção nos últimos anos: a redução do uso regular da camisinha, especialmente entre jovens.

Queda no uso preocupa autoridades

Dados da última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019 com pessoas com 18 anos ou mais, revelam o tamanho do desafio. Apenas 22,8% dos entrevistados afirmaram ter utilizado preservativo em todas as relações sexuais nos 12 meses anteriores à pesquisa. Outros 17,1% disseram usar ocasionalmente, enquanto 59% relataram não utilizar o método em nenhuma relação.

O cenário acompanha uma tendência global. Em relatório divulgado em 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou redução no uso de preservativos entre jovens em diversos países europeus, sinalizando um retrocesso nas políticas de prevenção.

Prevenção combinada ganha protagonismo

Mais do que incentivar o uso da camisinha, a campanha reforça o conceito de prevenção combinada, estratégia que reúne diferentes ferramentas para reduzir o risco de infecção. No SUS, o cuidado é organizado em três momentos principais.

Antes da folia, o foco está na preparação. Entre as ações recomendadas estão o uso da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que prepara o organismo para um eventual contato com o HIV, a vacinação contra hepatites A e B e HPV, além da testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C.

Durante o Carnaval, a orientação é reforçar o uso dos preservativos externos, incluindo as versões SENSI e TEX, além do preservativo interno e do gel lubrificante, ampliando a proteção durante as relações sexuais.

Após o período festivo, o cuidado continua com a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que pode ser utilizada em até 72 horas após uma situação de risco, e com a realização do autoteste de HIV.

“As Unidades Básicas de Saúde estão abastecidas com preservativos internos e externos, testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites virais, autoteste de HIV, vacinas e profilaxias pré e pós-exposição. Essas opções, quando combinadas, protegem ainda mais você e a festa fica mais segura”, destacou Padilha.

Cultura, diversidade e comunicação estratégica

A escolha de Gaby Amarantos para liderar a campanha reforça a aposta do governo na comunicação alinhada à identidade cultural do Carnaval brasileiro. Símbolo de diversidade e representatividade, a artista empresta sua imagem e voz para ampliar o alcance da mensagem preventiva em todas as regiões do país.

A estratégia busca transformar a prevenção em uma pauta acessível, vibrante e integrada ao espírito festivo, aproximando o debate sobre saúde sexual do cotidiano da população.

Avanços históricos no enfrentamento ao HIV

Paralelamente aos desafios, o Brasil registra conquistas importantes no enfrentamento ao HIV e à aids. Dados do boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde em dezembro de 2025 apontam uma redução de 13% no número de mortes por aids entre 2023 e 2024, totalizando 9,1 mil óbitos no último ano. Pela primeira vez em três décadas, o país registrou menos de dez mil mortes anuais relacionadas à doença.

Os resultados refletem avanços na prevenção, ampliação do diagnóstico e no acesso às terapias antirretrovirais, capazes de tornar o vírus indetectável e, consequentemente, intransmissível.

Outro marco alcançado foi a eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública, quando ocorre a passagem do vírus da mãe para o bebê. O índice ficou abaixo de 2%, com incidência inferior a 0,5 caso por mil nascidos vivos.

O país também ultrapassou 95% de cobertura em pré-natal, testagem para HIV e oferta de tratamento para gestantes vivendo com o vírus, atingindo metas internacionais estabelecidas pela OMS e interrompendo, de forma sustentada, a infecção de bebês durante a gestação, o parto ou a amamentação.

Cuidados além da prevenção sexual

O Ministério da Saúde também reforça recomendações gerais para quem pretende aproveitar o Carnaval com segurança. Entre elas estão a ingestão regular de água para evitar desidratação, o uso de protetor solar e, para quem viajar para áreas de mata, a vacinação contra febre amarela.

A orientação é que, diante de qualquer dúvida ou necessidade, a população procure uma Unidade de Saúde, onde estão disponíveis insumos, testagens e orientações.

Com a intensificação das ações e a ampliação da oferta de métodos preventivos, o Ministério da Saúde aposta na informação e no acesso como ferramentas fundamentais para garantir que a maior festa popular do país também seja sinônimo de cuidado, responsabilidade e proteção coletiva.