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Com a aproximação do Carnaval, infectologista orienta sobre prevenção ao HIV e falhas no uso do preservativo

Genilson Coutinho,
05/02/2026 | 10h02

Foto: Genilson Coutinho

Fevereiro tradicionalmente concentra alguns dos maiores eventos do calendário nacional e, neste ano, ganha um simbolismo adicional: as comemorações de Carnaval começam no dia 13, data em que também é celebrado o Dia Internacional do Preservativo. O período é marcado por maior circulação de pessoas, viagens e intensificação da vida social, contexto que costuma ampliar o debate sobre prevenção ao HIV e a outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), um desafio que permanece relevante para a saúde pública brasileira.

Festas e blocos de rua fazem parte da cultura do Carnaval e contribuem para esse aumento da convivência social. Nesse cenário, dados do Ministério da Saúde reforçam a necessidade de atenção: o uso do preservativo ainda está abaixo do ideal, especialmente entre os jovens.

Apenas 56,6% dos rapazes entre 15 e 24 anos relataram ter usado camisinha em relações sexuais recentes, um índice que acende o alerta para comportamentos de risco e evidencia a importância de ampliar o acesso à informação, à prevenção combinada e aos serviços de saúde, sobretudo em períodos de maior mobilidade.

Prevenção em períodos de festas

Para o infectologista Dr. José Pozza, responsável pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do Hospital Municipal Evandro Freire, no Rio de Janeiro, o Carnaval é um momento estratégico para reforçar orientações de prevenção.

“O preservativo continua sendo a principal forma de proteção contra o HIV e outras ISTs. No entanto, é fundamental que as pessoas saibam como agir quando o uso não acontece da forma correta ou quando ocorre alguma falha”, explica.

E se o preservativo falhar?

Situações como rompimento ou deslizamento do preservativo podem acontecer e exigem resposta rápida. Segundo o especialista, a orientação é procurar uma unidade de saúde o quanto antes, para avaliação do risco.

“Existe uma janela de até 72 horas após a exposição para iniciar a Profilaxia Pós-Exposição, a PEP, tratamento oferecido gratuitamente pelo SUS e que reduz significativamente o risco de infecção pelo HIV quando iniciado precocemente”, afirma Pozza.

PEP e PrEP: estratégias disponíveis no SUS

Além da PEP, o Sistema Único de Saúde disponibiliza a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), indicada para pessoas com maior vulnerabilidade ao HIV. A estratégia integra o conceito de prevenção combinada, que reúne diferentes formas de cuidado, como testagem regular, acompanhamento médico, tratamento oportuno e o uso consistente do preservativo.

O médico reforça que nenhuma dessas estratégias substitui a camisinha. “A PrEP e a PEP são ferramentas muito eficazes contra o HIV, mas o preservativo segue sendo essencial, inclusive para prevenir outras ISTs, como sífilis e hepatites virais, que não são evitadas com medicamentos”, ressalta.

Informação também previne

O especialista lembra ainda que cuidados simples ajudam a reduzir falhas no uso do preservativo, como observar o prazo de validade, armazená-lo corretamente e utilizar lubrificante à base de água, que diminui o risco de rompimento.

“Informação e acesso aos serviços de saúde são partes fundamentais da prevenção. Saber quando e onde buscar atendimento faz toda a diferença para evitar consequências que poderiam ser prevenidas”, conclui Dr. Pozza.

Sobre o Hospital Municipal Evandro Freire

O Hospital Municipal Evandro Freire, localizado na zona Norte do Rio de Janeiro, é um complexo hospitalar gerenciado pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. 

Sobre o CEJAM      

O CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.  

A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.  

O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado, em 2025, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.   

Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro! 

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