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No enfrentamento à LGBTfobia, empresas adotam benefícios voltados à comunidade LGBTQIAPN+

Genilson Coutinho,
13/05/2024 | 14h05
Kaká Rodrigues e Renata Torres – Foto Divulgação

Desde 2019, devido à decisão do Supremo Tribunal Federal, a LGBTfobia é considerada um crime inafiançável e imprescritível. Mas isso não impediu que 52% da comunidade LGBTQIAPN+ sofresse preconceitos em ambientes de trabalho nos anos seguintes, segundo pesquisa levantada pelo Catho.
       

Na contramão da discriminação, empresas globais como a IBM, Bristol Myers Squibb e Accor, passaram a combater a LGBTfobia, adotando a diversidade e a inclusão em seu dia a dia e oferecendo benefícios às pessoas colaboradoras dessa comunidade dentro de seus escritórios e galpões.
       

O percurso parece natural para essas grandes empresas, explica a especialista em diversidade e inclusão, Kaká Rodrigues, cofundadora da consultoria Div.A – Diversidade Agora!. “Organizações que promovem a diversidade e a inclusão não apenas beneficiam seus colaboradores com a construção de ambientes de trabalho mais diversos, inclusivos e justos, mas também fortalecem sua reputação, atraem talentos variados e impulsionam a inovação”, relata Kaká.
       

O título dessas empresas veio por meio da certificação dos melhores locais para pessoas LGBTQIAPN+ trabalharem, que avalia políticas, práticas e benefícios relacionados à inclusão em grandes corporações. “As organizações podem oferecer uma variedade de auxílios para pessoas colaboradoras dessa comunidade, como apoio a tratamentos de fertilidade, inseminação artificial, suporte psicológico individual e nos processos de adoção, licença parental, dentre outros”, explica a especialista.
       

No entanto, é preciso ficar alerta para que esses benefícios, quando oferecidos, atentem para a não distinção baseada em identidade de gênero ou orientação sexual, conforme ressalta Renata Torres, especialista em diversidade e inclusão e também cofundadora da Div.A. “A luta contra a LGBTfobia começa no processo seletivo, que deve ser livre de preconceito, assim como a contratação, promoção, manutenção e demissão das pessoas colaboradoras daquela organização. Não adianta oferecer benefícios se o ambiente de trabalho não possui valores não discriminatórios em seu dia a dia, permitindo que cada pessoa possa ser livre para se expressar da maneira como realmente é”, defende Renata.
       

A especialista também pontua a importância da iniciativa corporativa. “A organização não deve esperar até que surja a demanda para oferecer os benefícios à comunidade LGBTQIAPN+ e resolver, por exemplo, se o plano de assistência médica será extensivo ao companheiro ou companheira independentemente do gênero, ou analisar se fornecerá licença parental a um casal homoafetivo que adotou uma criança. É necessário construir uma política interna de inclusão que fique clara, divulgada internamente e acessível a todas as pessoas colaboradoras”, exemplifica.
       

Kaká e Renata reforçam que a inclusão de pessoas colaboradoras LGBTQIAPN+ pode ser tanto uma questão de justiça social quanto uma estratégia de negócios inteligente. “Ao promover a diversidade e a inclusão, as organizações fortalecem suas equipes, ampliam suas perspectivas e garantem um futuro mais próspero e sustentável”, concluem.