‘Esse documento vai mudar minha vida’, diz Leila Lisboa sobre o primeiro RG
Baianos e turistas que visitam o Elevador Lacerda já devem ter visto ou foram abordados educadamente por Leila da Manteiga, nome artístico escolhido por ela que tirar seu sustento das vendas das fitinhas do Bonfim. E quem vê a jovem de 24 anos não imagina que até a última quinta-feira (3), essa baiana não tinha seu documento de identidade, mas essa situação mudou após ela ser acolhida pela equipe multidisciplinar do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos de LGBT da Bahia (CPDD-LGBT), equipamento da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social – SJDH, gerido pela Instituição Beneficente Conceição Macedo (IBCM).
Na sua chegada ao Casarão da Diversidade, nº 8 no Pelourinho, durante a triagem realizada pelo serviço social constatou que Leila não possuía nenhum documento e a partir desta situação, a equipe jurídica conseguiu a emissão de uma segunda via do registro de nascimento para o início da retida dos documentos e da garantia dos direitos da assistida.
Com o RG em mãos, a equipe seguiu para o processo de retificação de prenome e gênero. E a emoção tomou conta de Leila Lisboa, nome escolhido por ela ao chegar ao SAC acompanhada da psicóloga do CPDD-LGBT para receber seu documento. “Estou sem palavras para agradecer por esse momento e agora ter um documento. Isso vai mudar a minha vida pra sempre.”, disse ela.
De acordo com Renildo Barbosa, coordenador do CPDD-LGBT, o caso de Leila é a realidade de muitas pessoas LGBTQIAPN+ que procuram o centro e que não tem sequer o registro de nascimento. “Essa conquista da cidadania de Leila com o primeiro documento é um passo muito importante para o fortalecimento das políticas públicas em prol da comunidade LGBTQIAPN+ e para vida dela é algo de um valor que não temos como mensurar. E esse caso se soma a muitos outros que estamos caminhando para dar um final feliz e a garantia de direitos para todes.”, pontua Barbosa.
